Malungu

Primeira quilombola aprovada para o cargo de professora na UFOPA, Santarém

Do quilombo à universidade

“Assumir esse lugar significa responsabilidade ética coletiva e compromisso institucional. Significa ocupar o espaço sem romper com minhas raízes. Meu objetivo, para além do ensino, pesquisa e extensão, é contribuir para o fortalecimento das ações afirmativas na graduação, apoiar ações para a permanência de estudantes quilombolas, indígenas e povos e comunidades tradicionais, incentivar pesquisas comprometidas com os territórios etnicamente configurados”, disse a primeira quilombola aprovada para o cargo de professora de Teoria Antropológica na Ufopa.

Natural do território quilombola de Cachoeira Porteira, em Oriximiná, o maior quilombo titulado do Brasil, Juliene Pereira dos Santos tornou-se a primeira professora quilombola aprovada para o cargo de Teoria Antropológica na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). O resultado final do concurso público que ofertou 50 vagas para o campus de Santarém e para os campi regionais da universidade na última quarta-feira (26). 

 

Ativista e militante na defesa dos territórios quilombolas da Amazônia, ela ressalta que as ações afirmativas foram fundamentais em sua trajetória. “São instrumentos de justiça histórica e de enfrentamento às desigualdades estruturais que, por séculos, limitaram o acesso da população negra e quilombola ao ensino superior. Essas políticas reconhecem uma história marcada pela exclusão racial e territorial”, pontuou.

Juliene também destaca o papel do movimento quilombola na consolidação dessas políticas. “O movimento quilombola tem desempenhado um papel fundamental. É por meio da organização coletiva, da incidência política e do diálogo com o Estado que esses direitos vêm sendo conquistados e assegurados. A presença de pessoas quilombolas na universidade, como estudantes, pesquisadoras e agora também docentes, é resultado dessa luta histórica”, concluiu.

 

Texto: Mayara Abreu/ comunicação Malungu

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