O protagonismo das mulheres na organização e na luta quilombola foi destaque na mesa de abertura do 12º Encontro Estadual de Mulheres Quilombolas do Pará. A mesa reuniu lideranças das cinco regionais do estado e trouxe para o centro da discussão a atuação das mulheres na defesa dos territórios, a trajetória das que construíram a Malungu desde o seu processo de fundação e a participação das novas gerações.
No cotidiano das comunidades, seja na agricultura, nas associações, nas reuniões ou na defesa dos territórios, a atuação das mulheres é fundamental. “As lutas e a união dos territórios, a força das roças, das águas, das florestas, das reuniões, das associações, onde mulheres, na prática, assumem o compromisso de tecer teias de lutas em defesa dos nossos territórios são a base para a preservação das nossas comunidades e modos de vida”, destacou Érika Gonçalves.
A força da ancestralidade foi reafirmada ao destacar a trajetória de mulheres que abriram caminhos e hoje são referência para as mulheres que seguem na organização dos territórios. Beth, Vitória, Donata, Páscoa, Valéria Carneiro, Jaqueline Alcântara, Érica Monteiro e Nébia foram homenageadas durante a atividade, por suas.m contribuições no processo de construção da Malungu.
“A sabedoria ancestral não pertence ao passado, ela orienta ao presente e abre caminhos para o futuro. Referenciar os ancestrais é também reconhecer as mulheres que hoje continuam a caminhada, bem como as jovens que virão”, completou Érika.
A participação da juventude também foi destacada. Micele, quilombola da comunidade de Garrafão Preto e integrante da coordenação de formação do Coletivo de Mulheres da Conaq, falou sobre a importância de fortalecer a participação das jovens na organização quilombola e de construir, no presente, a continuidade dessa luta.
“Estou muito feliz de poder estar aqui, dizer que estou à disposição, e vamos dialogar para fortalecer esse movimento, que também é nosso, da juventude, e que principalmente é das mulheres quilombolas”, afirmou ela.
A mesa também foi espaço para reafirmar a importância de ampliar a participação das mulheres nos espaços de organização e decisão. Analú Batista, liderança quilombola de Gurupá, em Cachoeira do Arari, pontuou que, ao longo dos 22 anos de existência da Malungu, as mulheres estiveram na construção da organização e que é preciso seguir fortalecendo sua presença nas coordenações e nas regionais.
O encontro reúne mulheres quilombolas das cinco regionais do Pará, e a programação segue pelos próximos dias, com o objetivo fortalecer a organização e a articulação entre os territórios.
Texto: Vitória Rodrigues
Imagens: Cíntia Matos