
A festa da titulação do quilombo Umarizal parece não ter fim. Desde o dia 17 de novembro, quando o presidente do quilombo recebeu o título definitivo durante evento alusivo ao Dia da Consciência Negra, no Parque do Utinga, em Belém, as celebrações não pararam. Ainda naquele dia, os festejos seguiram madrugada adentro e, na noite do último sábado (06), o quilombo de Umarizal celebrou oficialmente a titulação coletiva após 26 anos de luta.
As cerca de 500 famílias da comunidade e convidados, incluindo parte da coordenação executiva da Malungu e colaboradores, se reuniram na praça central do quilombo, em êxtase pela relevância da conquista, que representa autonomia e liberdade.
Na abertura do evento, o presidente da Associação, Cristenis Vieira, se disse ainda emocionado e grato pela vitória:
“Em nome do meu povo, agradeço à Malungu que, pra quem não sabe o sentido desse nome, é que ninguém solte a mão de ninguém. E eu senti isso por meio deles quando comecei a participar da Mesa Quilombola. Eles foram parceiros que, de fato, abraçaram essa causa e não soltaram nossa mão”, afirmou.
O coordenador administrativo da Malungu, Antonio Mauro, durante a mesa de abertura, destacou a atuação da organização junto às comunidades quilombolas do Pará e a perseverança de Umarizal, que não desistiu mesmo após 26 anos de luta:
“O choro de Umarizal era a certeza de que a luta é possível e de que a Malungu está aqui para abraçar e garantir que nossos territórios quilombolas sejam titulados, certificados, georreferenciados… Eu reconheço a luta de cada companheira e companheiro para que este momento estivesse sendo realizado”, concluiu.
Após o encerramento da mesa de abertura, a praça foi tomada por dezenas de pessoas embaladas pelo som do samba de cacete, que envolveu desde as crianças até os mais velhos da comunidade. A chuva, naquela altura, parecia contemplar as lágrimas de felicidade por décadas de luta. A festa seguiu até a manhã seguinte, com muitos abraços e gritos de resistência.