O momento promoveu a escuta das lideranças quilombolas e deu início à construção participativa das peças técnicas que compõem o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID).
O Projeto Aquilombar II reuniu, nos dias 3 e 4 de julho, lideranças quilombolas, pesquisadores e instituições parceiras na comunidade de Vila União, em Salvaterra, no Arquipélago do Marajó, para a realização do Seminário do Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID). O encontro marcou o início de uma importante etapa de construção coletiva das peças técnicas que irão subsidiar o processo de regularização fundiária dos territórios quilombolas do município.
O Projeto Aquilombar II é uma construção da Malungu, Fundo Quilombola Mizizi Dudu, Fundo Dema/Fase, em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), tendo como apoio direto da filantropia Tenure Facility. O seminário promoveu momentos de diálogo entre bolsistas, equipes técnicas e representantes das comunidades quilombolas, reafirmando que a produção do RTID deve estar fundamentada nos saberes, na memória e na realidade vivida pelas comunidades.
Para a coordenadora do Fundo Quilombola Mizizi Dudu, Valéria Carneiro, o Seminário Aquilombar II representa um passo importante para fortalecer a luta pelo reconhecimento dos territórios quilombolas e demonstra a importância da atuação conjunta entre organizações comprometidas com a garantia de direitos.
“Este é um momento de fortalecimento da luta quilombola e de construção coletiva. É fundamental para que possamos avançar na produção do RTID, contribuindo para a defesa dos nossos territórios e para a garantia dos direitos das comunidades quilombolas”, destacou.
Durante o segundo dia do seminário, as lideranças das comunidades quilombolas de Salvaterra compartilharam histórias, memórias e conhecimentos sobre seus territórios, contribuindo diretamente para a produção das peças técnicas que integrarão o relatório.
A vice-coordenadora do Fundo Quilombola Mizizi Dudu, Jaqueline Alcântara, ressaltou que a escuta das comunidades é indispensável para que o RTID reflita a realidade dos territórios.
“A participação das lideranças é essencial porque são elas que carregam a memória, a história e os conhecimentos sobre seus territórios. Ouvir essas vozes garante que as informações que irão compor o RTID sejam construídas a partir da vivência das próprias comunidades”, afirmou.
O Seminário reafirma o compromisso das instituições parceiras com uma metodologia participativa, que reconhece o protagonismo das comunidades quilombolas em todas as etapas do processo de regularização territorial. Mais do que um encontro técnico, o evento fortalece a organização coletiva e a defesa dos direitos dos povos quilombolas de Salvaterra.
Texto e imagens: Heloiá Carneiro (Ascom Fundo Quilombola Mizizi Dudu)