Representando o Pará, a coordenadora de Educação Escolar Quilombola da Malungu integra a 13ª edição do programa e desenvolve, em parceria com liderança indígena, um plano de ação voltado ao fortalecimento do cuidado e da aprendizagem na primeira infância em territórios tradicionais.
Realizado em parceria com a Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard e o Insper, o Programa de Lideranças Executivas em Desenvolvimento da Primeira Infância reúne gestores públicos, lideranças da sociedade civil, pesquisadores e profissionais da comunicação para a construção de soluções voltadas aos desafios da primeira infância em diferentes contextos. Representando a Coordenação de Educação Escolar Quilombola da Malungu, Élida Monteiro participou da 13ª edição da formação, onde começou a desenvolver, em parceria com a liderança indígena, Inimá Krenak um plano de ação voltado ao fortalecimento de ecossistemas comunitários de cuidado e aprendizagem em territórios quilombolas e indígenas.
A primeira etapa da formação aconteceu na Universidade Harvard, em Cambridge, nos Estados Unidos. O programa aborda temas como educação, saúde, assistência social, parentalidade, equidade, liderança e avaliação de políticas públicas. Nesta edição, o segundo módulo será realizado de forma remota. Tradicionalmente, a formação é composta por três etapas, duas presenciais e uma virtual, mas, devido ao calendário eleitoral deste ano, o programa contará com apenas dois encontros.
Ao longo dos módulos, os participantes recebem acompanhamento de facilitadores especializados para desenvolver e aprimorar propostas que possam gerar impactos concretos em seus territórios e áreas de atuação.
Para Élida Monteiro, o convite para atuar no programa deste ano está sendo uma oportunidade de fortalecer o protagonismo quilombola na formulação de políticas públicas voltadas à educação.
“Está sendo uma honra representar a Malungu e todos os quilombolas do estado do Pará. Sim, estamos construindo uma proposta, um plano de ação para a educação escolar quilombola, mas uma educação que seja implementada pelos nossos, para que eles sejam protagonistas desse processo. Queremos construir uma proposta que sirva de referência para gestores públicos. E principalmente, que a nossa identidade, ancestralidade, cultura e religiosidade sejam respeitadas nos contextos e nos moldes propostos pelas lideranças comunitárias, professores, jovens e crianças”, afirma.
Doutoranda em Antropologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Élida destaca ainda a importância de ampliar a presença de lideranças quilombolas e indígenas nos espaços de formulação de políticas públicas.
“Queremos que o nosso conhecimento empírico dos territórios faça parte desses processos e que não haja mais a necessidade de entregar nossos conhecimentos nas mãos de terceiros. É fundamental que as políticas sejam construídas com a participação direta dos nossos povos e que, de fato, cheguem às nossas bases e aconteçam na prática”, ressalta.
Criado em 2012, o Programa de Lideranças Executivas em Desenvolvimento da Primeira Infância já reuniu mais de 700 participantes e contribuiu para o fortalecimento de importantes políticas e iniciativas nacionais, entre elas o Marco Legal da Primeira Infância, o Pacto Nacional pela Primeira Infância e a Rede Nacional de Frentes Parlamentares da Primeira Infância.
Nesta 13ª edição, Élida Monteiro integra um grupo diverso de lideranças de todo o país. Entre os participantes, apenas 6% são da Região Norte, 23% representam organizações da sociedade civil e 35% são pessoas negras, reforçando a importância da presença quilombola em espaços estratégicos de debate e construção de políticas públicas para a primeira infância.
Desde quando a pasta da Educação Escolar Quilombola foi criada na Malungu, em 2022, a incidência do movimento já alcançou 13 Diretorias Regionais de Educação (DREs), 21 municípios e 68 comunidades quilombolas, com 2.561 estudantes distribuídos em 147 turmas e o apoio de 38 equipes pedagógicas.
Entre os resultados desse processo estão a criação de três turmas de Educação Escolar Quilombola na Universidade do Estado do Pará (UEPA) e a formação de 600 professores em cursos voltados à Educação das Relações Étnico-Raciais e à Educação Escolar Quilombola. Além da construção da Política Estadual de Educação Escolar Quilombola, uma conquista inédita do movimento quilombola paraense que está prestes a avançar para a etapa de consulta às comunidades.
Texto: Mayara Abreu/ Comunicação Malungu
Imagens: Reprodução